Paraná mantém resiliência econômica em cenário global desafiador, aponta boletim da Fazenda 17/03/2026 - 15:59

A economia do Paraná deve manter uma trajetória de resiliência em 2026, mesmo diante de um cenário internacional marcado por incertezas e de desaceleração da atividade no Brasil. Com uma estrutura produtiva diversificada e situação fiscal sólida, o Estado se posiciona de forma mais preparada para enfrentar os desafios do ciclo econômico. 

É o que aponta o boletim Economia em Dia , elaborado pela Assessoria Técnica de Economia (ATE) da Secretaria da Fazenda. O material subsidia a construção do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), documento que estabelece metas e prioridades do Governo do Estado e orienta a elaboração do orçamento anual.

No cenário global, o principal risco para 2026 está associado à possibilidade de maior fragmentação econômica internacional, com impactos diretos sobre o comércio exterior. A tendência de adoção de medidas unilaterais e tarifas comerciais, especialmente por parte dos Estados Unidos, pode alterar os fluxos comerciais e aumentar a volatilidade econômica.

“Vivemos um cenário internacional mais instável, que exige dos governos ainda mais responsabilidade e capacidade de planejamento. O Paraná está preparado, com uma base econômica diversificada e uma gestão fiscal equilibrada, o que nos permite enfrentar esse ambiente com mais segurança e previsibilidade”, destaca o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara.

No Brasil, a economia segue em processo de estabilização, com desaceleração da inflação e crescimento mais moderado. A projeção do Produto Interno Bruto (PIB) é de 1,8% para 2026 e 2027, refletindo os efeitos de juros ainda elevados e de condições financeiras restritivas. O mercado de trabalho, embora resiliente, também começa a apresentar perda de dinamismo, após atingir níveis historicamente baixos de desemprego, com 5,6% em 2025.

Diante desse cenário, o Estado do Paraná aposta na manutenção de investimentos públicos como instrumento para sustentar a atividade econômica. A condição fiscal favorável paranaense permite que esses investimentos atuem como fator anticíclico, contribuindo para mitigar os efeitos da desaceleração nacional e da volatilidade internacional.

De acordo com o boletim, o Estado paranaense apresenta com uma forte inserção no mercado internacional, com destaque para exportações ao mercado asiático, ficando sensível a variações cambiais, demanda global e eventuais barreiras comerciais. Além disso, os juros elevados impactam diretamente o financiamento da produção, especialmente no agronegócio, e reduzem o consumo das famílias.

Apesar desse ambiente desafiador, a atividade econômica paranaense apresentou desempenho superior à média nacional em 2025. O Estado registrou crescimento de 3,7% nos 12 meses até outubro, acima dos 2,6% do Brasil, impulsionado principalmente pela recuperação da safra agrícola, que avançou 24,2% após um ano anterior adverso.

Outros setores, no entanto, já indicam desaceleração. O segmento de serviços cresceu 2,4%, mantendo-se como principal gerador de empregos, com saldo positivo de 48,2 mil vagas formais. Ainda assim, o ritmo é inferior ao observado em 2024. A indústria e o comércio também apresentaram crescimento mais moderado, refletindo o impacto das condições financeiras mais restritivas.

“O Paraná reúne condições importantes para sustentar esta estabilidade, como a diversidade da sua base produtiva e a forte inserção no comércio exterior. No entanto, o cenário exige foco em políticas que ampliem a produtividade, atraiam investimentos e garantam o equilíbrio fiscal no médio prazo”, avalia o assessor técnico da Sefa, Mateus Ramalho.