Fundos soberanos ganham protagonismo no desenvolvimento regional em seminário no Paraná 31/03/2026 - 16:26

O papel dos fundos soberanos no futuro dos estados brasileiros esteve no centro das discussões do seminário Fundos Soberanos e Investimentos Estratégicos Regionais, realizado nesta segunda-feira (30), em Curitiba. O evento reuniu especialistas, gestores públicos e representantes do setor produtivo para discutir como esses instrumentos podem impulsionar investimentos, garantir estabilidade fiscal e apoiar o desenvolvimento de longo prazo.

Promovido pelo Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros, em parceria com o Governo do Paraná e a Prefeitura de Curitiba, o seminário destacou que os fundos soberanos são inovações capazes de transformar arrecadações em oportunidades concretas de investimento para a sociedade.

Para a diretora do Tesouro Estadual do Paraná, Carin Deda, o momento vivido pelos estados brasileiros exige uma mudança de postura na gestão dos recursos públicos. “O cenário atual trouxe um fôlego maior às contas públicas, com aumento de arrecadação e maior disponibilidade de caixa. O passo seguinte é garantir que esses recursos retornem à sociedade na forma de investimentos e políticas públicas, sempre com responsabilidade e sustentabilidade fiscal”, destacou.

Ao longo da programação, diferentes painéis abordaram desde a estrutura e governança desses fundos até os desafios práticos de sua implementação. Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de regras claras e segurança jurídica para viabilizar o avanço dos fundos subnacionais no Brasil. O tema regulatório apareceu como um dos maiores entraves atuais, mas também como uma agenda prioritária para destravar novos projetos.

Outro eixo relevante do debate foi o impacto da Reforma Tributária no chamado novo federalismo fiscal. Especialistas destacaram que, com o fim da chamada “guerra fiscal”, os estados precisarão buscar novas formas de atrair investimentos, cenário em que os fundos soberanos podem assumir um papel estratégico. Nesse contexto, a articulação com mecanismos como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) foi apontada como caminho para ampliar a capacidade de financiamento e fortalecer políticas públicas estruturantes.

As discussões também avançaram para além do cenário nacional. Experiências internacionais mostraram como fundos soberanos podem atuar de forma anticíclica, ou seja, ajudando a estabilizar a economia em momentos de crise, e como podem ser direcionados para investimentos na economia real, estimulando setores produtivos e promovendo desenvolvimento sustentável.

A agenda ambiental também teve destaque. Os participantes debateram como instrumentos financeiros inovadores podem apoiar a transição ecológica, conciliando responsabilidade fiscal com investimentos em sustentabilidade e enfrentamento das mudanças climáticas.

FEPR – O Fundo Estratégico do Paraná (FEPR) foi apresentado como um exemplo prático dessa nova abordagem. Criado em 2025 pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, o fundo está vinculado à Secretaria da Fazenda e foi estruturado com três pilares: desenvolvimento socioeconômico, sustentabilidade fiscal e enfrentamento de desastres. O FEPR simboliza uma mudança de paradigma: a utilização estratégica de recursos públicos para planejar o futuro, reduzir vulnerabilidades e induzir o crescimento econômico de forma sustentável.

Os fundos soberanos são investidores institucionais pertencentes e controlados pelo Estado, que investem recursos a curto ou longo prazo conforme os interesses dos governos, a partir de objetivos e regras pré-definidas. Entre os principais objetivos desses dispositivos estão a criação de poupança intergeracional, estabilização de receitas diante das flutuações, investimento no desenvolvimento territorial, diversificação econômica, financiamento de necessidades do ente público e fortalecimento de investimentos estratégicos. 

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