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10/09/2020

Agosto mantém ritmo de recuperação de vendas no varejo

As vendas no comércio varejista paranaense em agosto mantiveram os níveis de recuperação observados em julho e junho, após as intensas quedas registradas em abril e maio. Boletim conjuntural elaborado pelas secretarias da Fazenda e do Planejamento e Projetos Estruturantes, divulgado nesta quarta-feira (09/09), mostra que 6 dos 10 segmentos analisados fecharam o mês em altas nas vendas, em relação a agosto de 2019.

 

Pela primeira vez desde o início da pandemia, em março, o número de segmentos com altas nas vendas superou o de grupos em baixa no fechamento do mês. Venderam mais: Áudio, Vídeo e Eletrodomésticos (50%), Hipermercados e Supermercados (10%), Farmácias (4%), Materiais de Construção e Ferragens (15%), Informática e Telefonia (20%) e Cama, Mesa e Banho (11%).

 

Por sua vez, sofreram quedas em agosto os setores de Veículos Novos (-10%), Vestuário e Acessórios (-16%), Calçados (-25%) e Restaurantes e Lanchonetes (-40%). Os percentuais de queda, porém, são os mais baixos desde março – o que demonstra reação lenta, mas constante.

 

Já no acumulado do ano, 6 dos 11 segmentos avaliados registram quedas – Restaurantes e Lanchonetes (-36%), Calçados (-34%), Vestuário e Acessórios (-28%), Veículos Novos (-17%), Cama, Mesa e Banho (-13%) e Cosméticos, Perfumes e Higiene Pessoal (-8%). Já Informática e Telefonia (2%), Material de Construção e Ferragens (3%), Farmácias (6%), Hipermercados e Supermercados (9%) e Áudio, Vídeo e Eletrodomésticos (10%) acumulam altas nas vendas.

 

LINHA BRANCA, NOTEBOOKS E CELULARES EM DESTAQUE - O documento elaborado pelas Secretarias traz quinzenalmente indicadores e dados coletados pela Receita Estadual e pelo Ipardes, serve para medir os impactos da crise da Covid-19 sobre as contas públicas e a sociedade paranaense.

 

No recorte de vendas totais por produto (que incluem as negociações de mercadorias entre empresas ao longo da cadeia produtiva e as exportações), 20 grupos tiveram altas em agosto, enquanto 7registraram queda. 

 

Os principais destaques positivos no comparativo com o mesmo mês de 2019 foram a Linha Branca (59%); Notebooks (53%) e Telefones Celulares (51%).

 

Já no acumulado de 2020, as maiores altas permanecem com o setor alimentício: cereais, farinhas, sementes, chás e café (34%); frutas, verduras e raízes (23%); carnes, peixes e frutos do mar (20%); seguidos de produtos químicos (20%) e notebooks (17%).

 

Por outro lado, as maiores baixas de 2020 concentram-se no vestuário (-27%), automóveis (-27%), caminhões e ônibus (-23%), tratores (-15%) e motocicletas (-12%).

 

EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS TAMBÉM CRESCE – O valor médio de emissão de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) em agosto, na comparação com os meses anteriores, confirma a tendência. Houve crescimento nos comércios atacadista e varejista e na indústria de alimentos – a exceção foi a indústria de transformação, com pequena retração.

 

A macrorregião Noroeste (região de Maringá e Umuarama) as quatro atividades examinadas registraram altas em agosto.

 

Na macrorregião Leste (do Centro-Sul ao Litoral, passando por Curitiba, Campos Gerais e Região Metropolitana), apenas a indústria de alimentos já opera acima dos patamares observados antes da pandemia, em março.

 

A macrorregião Norte (Londrina e região) também registrou alta em três das quatro atividades avaliadas. A indústria de transformação é atualmente o segmento com índice mais elevado, superando o patamar de operação pré-pandêmico já pelo terceiro mês consecutivo.

 

Já a macrorregião Oeste, o maior crescimento em agosto foi detectado no Comércio atacadista: 11 pontos percentuais.

 

ARRECADAÇÃO DE ICMS VOLTA A CAIR - Já o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que reflete as vendas do mês anterior, voltou a registrar queda no consolidado do mês e ainda está longe de retomar os níveis pré-covid. O montante arrecadado em agosto foi de R$ 2,9 bilhões, 3,2% menos do que no mesmo período de 2019. No acumulado de 2020, a queda na arrecadação do principal tributo do estado se mantém na casa de R$ 1,5 bilhão (-7,3%).

 

A baixa é puxada principalmente pelo setor de combustíveis, cuja participação representa 22% de todo o total do ICMS arrecadado no Paraná. Em agosto, o segmento registrou variação negativa de R$ 173 milhões (-20%).

 

O setor energético, que tem 16% de participação na arrecadação do tributo, teve queda de 2,2%. O setor automotivo também caiu em arrecadação (-15,6%), bem como o setor de serviços (-18%).

 

Por outro lado, segmentos significativos na composição do tributo tiveram alta este mês: Indústria (20%) e Bebidas (8%).

 

O ICMS apresentado no Boletim é o total bruto arrecadado. A partir deste valor, 25% são repassados semanalmente para os Municípios, de acordo com o índice para 2020 de cada um. Além disso, 20% são repassados para o Fundeb.

 

Ainda segundo a análise do boletim, as perspectivas para 2021 são de um PIB nacional 7% menor do que seria num cenário sem pandemia. Como a arrecadação de ICMS tem forte correlação com a atividade econômica, uma queda desta ordem pode retirar R$ 2,3 bilhões dos cofres estaduais no próximo ano.

 

Desta forma, reforça o estudo, não é provável que, em um prazo mais alongado, a arrecadação de ICMS retorne aos patamares esperados antes da crise.

 

CRÉDITO E EXPORTAÇÕES – Esta edição do Boletim traz duas novidades: os indicadores sobre o saldo de operações de crédito para pessoas jurídicas e a variação das exportações por mercado de destino.

 

No primeiro caso, o estudo mostra que nos sete primeiros meses deste ano o saldo do crédito concedido às pessoas jurídicas do Paraná cresceu mais de R$ 13 bilhões, totalizando R$ 107,3 bilhões. Os dados são do Banco Central.

 

Em relação ao comércio exterior, as exportações paranaenses somaram US$ 11,02 bilhões no acumulado de janeiro a agosto de 2020, praticamente o mesmo valor registrado em igual período de 2019 (acréscimo de apenas 0,1%). Enquanto as vendas paranaenses para vários mercados tiveram queda, as exportações estaduais para a China e a Holanda avançaram significativamente, graças ao comércio de commodities agropecuárias.
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